O início do século XX, no Brasil, foi marcado por uma série de conflitos sociais e manifestações populares, tornando a Primeira República Brasileira (1889-1930) um momento de particular instabilidade das relações entre o Estado Brasileiro e seus cidadãos. Também no Rio de Janeiro e em São Paulo houve eclosões de revolta popular durante a República Velha. Elas, porém, apresentavam certa distinção entre si. Assim, pode-se caracterizar a diferença entre as revoltas da população de São Paulo daquelas ocorridas no Rio de Janeiro:
no Rio de Janeiro, as revoltas populares eram mais dirigidas à tomada planejada de poder do aparelho de Estado, enquanto em São Paulo predominava o caráter espontâneo dos protestos populares
as revoltas de São Paulo eram caracterizadas pelo aspecto messiânico de seus líderes populares; já em terreno fluminense, havia o predomínio de um caráter operário
as revoltas populares em São Paulo tinham um caráter ordeiro e visavam apenas o atendimento de demandas específicas, como moradia e saneamento básico, enquanto que as revoltas da população carioca eram marcadas pelo caráter caótico e pelo messianismo
enquanto em São Paulo as revoltas populares eram caracterizadas por seu nítido caráter conservador, em busca de restauração monárquica, no Rio de Janeiro havia o predomínio das ideias socialistas e anarquistas
em São Paulo predominava um caráter operário, como na greve de 1917; no Rio de Janeiro, os protestos tinham mais um caráter de revolta popular espontânea, como a Revolta da Vacina, contra os desmandos e desrespeitos à população pobre, típicos da Velha República