A extinção da escravatura foi encaminhada por etapas até o final, em 1888. A maior controvérsia quanto às medidas legais não ocorreu em 1888, mas quando o governo imperial propôs a chamada Lei do Ventre Livre, em 1871. (...) O projeto partiu de um gabinete conservador, presidido pelo Visconde do Rio Branco, arrebatando desse modo a bandeira do abolicionismo das mãos dos liberais.
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As posições dos deputados em torno do projeto afinal aprovado são bastante reveladoras. Enquanto os representantes do Nordeste votaram maciçamente a favor da proposta (39 votos a favor e 6 contra), os do Centro-Sul inverteram essa tendência (30 votos contra e 12 a favor).
(Boris Fausto, História do Brasil)
A forma como o resultado foi obtido pode ser explicado, em parte,
pelas recorrentes rebeliões de escravos ocorridas no Nordeste durante o século XIX e que atemorizavam os proprietários rurais, que acreditam na iminência de uma conflagração de grandes proporções.
pelos novos projetos desenvolvidos no vale do Paraíba, com a direção dos grandes cafeicultores, que iniciavam a substituição dos trabalhadores escravos pela mão de obra imigrante europeia.
pelo surto industrial, a partir da extinção do tráfico negreiro, ocorrido no Centro-Sul, que recebeu benefícios diretos da disponibilidade de capitais e da necessidade de mão de obra livre e assalariada.
pela pouca importância que a exploração da mão de obra compulsória exercia sobre as atividades econômicas vitais do país, caso do café no Oeste Paulista e do açúcar na província do Rio de Janeiro.
pelo fato de que o tráfico interprovincial, que transferia escravos do Nordeste para a região cafeeira, vinha diminuindo a dependência nordestina com relação à mão de obra escrava.