Leia o trecho que segue sobre a administração da Capitania de Minas no século XVIII:
A viabilidade da manutenção das formas acomodativas entre os atores políticos coloniais e metropolitanos dependeu em grande parte: 1) da preservação de acordos firmados entre as autoridades e a população, relativos às formas de tributação, distribuição de terras, a questão do abastecimento dos núcleos urbanos, procedimentos considerados importantes para que a administração fosse eficaz. 2) a capacidade da coroa em resguardar a autonomia de certos setores da população que se encontravam em áreas fronteiriças e de povoamento peculiar. 3) do respeito das autoridades portuguesas pelos interesses dos poderosos e do consenso dos magistrados em torno das políticas apresentadas para a Capitania. (ANASTASIA, Carla Maria Junho. Vassalos Rebeldes. Belo Horizonte: C/Arte, 1998. p. 23)
Sobre a administração da Capitania, em face ao exposto, é possível depreender:
A coroa sempre conseguiu impor-se aos habitantes da região, considerando o grande efetivo militar que instalou ali, ao que se soma a história da administração do território colonial americano, extremamente impositiva.
A Capitania de Minas, considerando a economia mineral, permitiu maior organização da estrutura administrativa, que funcionou melhor, considerando a tendência à concentração da população nos núcleos urbanos.
A Coroa portuguesa não pôde contar com o suporte da Igreja Católica para se instalar na região, haja vista que esta instituição não pudera se instalar plenamente em Minas, por temer que clérigos se envolvessem com a mineração.
Muitos estudos relacionados à área de Culturas Políticas têm conseguido revisitar a leitura sobre a prática administrativa na Capitania de Minas, mostrando que o governo sobre a região tendeu à negociação de mando e autoridade.
A estrutura administrativa da Capitania, considerando os potentados locais, sempre tendeu a acolher maior número de locais na administração, inclusive como forma de cooptação.