Os episódios de perseguição contra João Maria foram motivados pelo temor da concentração de gente pobre do campo. As autoridades, em sua maioria grandes fazendeiros e oficiais da Guarda Nacional, sentiam que tinham como missão subjugar os sertanejos que não se submetiam aos coronéis. Formavam-se grupos autônomos, com fortes vínculos religiosos, nos quais expectativas místicas mesclavam-se à crítica social. [...] A linguagem cabocla passou a ser tratada pelas autoridades como “puro fanatismo”.
(MACHADO, Paulo Pinheiro. “Tragédia anunciada”. In: Revista de História l. N.º 85 / outubro. Rio de Janeiro: Biblioteca Nacional, 2012. Disponível em: <http://www.rhbn.com.br/revista/edicao/85>. Acesso em 21/03/2016.)
Ao analisar o episódio conhecido como Guerra do Contestado (1912-1916), o autor trata o fanatismo religioso como resultado da
sociabilidade dos caboclos, determinada por vínculos religiosos.
liderança de um monge, orientada pela observação da fé.
estratégia das elites, voltada para a estigmatização dos rebeldes
disputa de terras, caracterizada pela manipulação dos miseráveis