“É da coexistência de uma Constituição liberal com práticas políticas oligárquicas que deriva a expressão liberalismo oligárquico, com que se caracteriza o processo político da República no período compreendido entre 1889 e 1930. Ambígua e contraditória, a expressão revela que o advento da República, cujo pressuposto teórico é o de um governo destinado a servir a coisa pública ou ao interesse coletivo, teve significado extremamente limitado no processo histórico de construção da democracia e de expressão da cidadania no Brasil.”
(Fonte: RESENDE, Maria Efigênia Lage de. O processo político na Primeira República e o liberalismo oligárquico. In: FERREIRA e DELGADO, (Org.). O Brasil Republicano: o tempo do liberalismo excludente – Da Proclamação da República à Revolução de 1930. 4ª Ed. Vol. 01. Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 2010, p. 91).
A partir dessa afirmativa da historiadora Maria Efigênia Lage Resende e dos conhecimentos sobre o assunto abordado, é INCORRETO afirmar:
Coronelismo, oligarquia e política dos governadores fazem parte do vocabulário político necessário ao entendimento do período republicano em análise.
Na Primeira República, governadores ou presidentes, conforme denominado na respectiva constituição de cada estado, são eleitos e detêm enorme soma de poder que advém do próprio texto constitucional.
O coronelismo demarca uma mudança qualitativa na tradicional dominação do poder privado. Ele tem uma identidade própria específica, constitui um sistema político e é um fenômeno datado.
A política dos governadores consistia numa estratégia que focava esforços na busca da unidade das lideranças regionais, não dando muita ênfase à questão das eleições municipais visto que essas pouco representavam para a sustentação do governo central.
A política dos governadores consolida de imediato o domínio das oligarquias estaduais e a força dos coronéis nos municípios.