“[...] ‘Em muitas casas urbanas do Brasil antigo, conforme fixou a tradição oral, podia-se ver uma cruzinha de madeira pregada à porta de entrada; nas zonas rurais, um mastro, com a bandeira de um santo, revela aos visitantes a preferência da devoção familiar. Dentro de casa, uma série de imagens, quadros e amuletos sinalizam a presença do sagrado no espaço privado do lar. No Brasil colonial, seguindo o costume português, desde o despertar o cristão se via rodeado de lembranças do Reino dos Céus. Na parede contígua à cama, havia sempre algum símbolo visível da fé cristã: um quadrinho ou caixilho com gravura do santo anjo da guarda ou do santo onomástico; uma pequena concha com água benta; o rosário dependurado na própria cabeceira da cama’.”
-
(MOTT, Luiz, 1997. p. 164.)
-
No Brasil Colonial, em relação ao panorama religioso, infere-se que:
O fervor religioso de alguns católicos foi o responsável pela manutenção da Companhia de Jesus, mesmo após expulsão dos jesuítas e sua substituição por outras ordens religiosas.
Com o processo de colonização portuguesa no Brasil e, principalmente, no Nordeste brasileiro, a prática de trocas simbólicas se retraiu, substituída pelas demonstrações míticas africanas.
Essa marca da presença católica é responsável em grande parte pelo substrato cultural profundamente religioso que permaneceu, com modificações e interferências, na formação cultural do Brasil.
A fé foi mantida graças aos interesses comerciais ligados à arte santeira materializada na arte popular de talhar, esculpir anjos e santos fabricados sob encomenda dos fiéis e utilizados com fins religiosos.