Nos últimos anos, muitos ativistas e pesquisadores vêm utilizando a expressão “Ditadura Civil-Militar” em lugar de “Ditadura Militar” para se referir ao regime político instalado no Brasil em 1964. Para os que defendem essa mudança, trata-se de uma importante ampliação conceitual ou um ajuste de contas com a memória, já para os contrários, ela é exagerada ou fruto de um modismo historiográfico. Dentre as afirmativas ao lado, aquela que apresenta um par de argumentos coerentes para esta oposição é:
Eminentes personalidades civis de grandes empresas estatais e privadas, ministérios, universidades, academias literárias e científicas colaboraram com o regime. Entre 1979 e 1985, se a democracia continuava suprimida, já não havia mais uma ditadura.
Os militares controlavam a sociedade através de muitos milhares de informantes e agentes integrantes de um sofisticado aparato repressivo. O Alto Comando das Forças Armadas é quem de fato exerceu o poder político depois de instalado o regime.
As marchas da Família com Deus e pela Liberdade contaram com a participação de milhões de pessoas, de inúmeras classes sociais. Enquanto a tortura era uma constante nas cadeias, efeito de uma política de Estado, o general Médici era saudado nos estádios.
A trajetória da Arena (1965-1980), partido fundado para sustentar o regime, é bastante elucidativa, já que nele havia importantes lideranças civis. Se, com o tempo, muitos desistiram de apoiar o regime, ele contou, no entanto, com um forte apoio social entre 1969 e 1974.
Para as multidões que festejaram o tricampeonato mundial de futebol e os 150 anos da Independência do Brasil, pouco importava se esses eventos eram patrocinados pelo regime. Os militares estiveram à frente não apenas da Presidência da República, mas também em cargos estratégicos da administração federal, em empresas e ministérios.