“O escravocrata Antônio Benício Saraiva libertou seus escravos cinco anos antes da princesa Isabel assinar a Lei Áurea. Fazendeiro e político, Saraiva concedeu alforria em troca de indenização paga pelo Governo Provincial. Segundo o jornal abolicionista Libertador, o escravista fez da “liberdade” um negócio lucrativo. Inicialmente soltando “seus negros” no município de Baturité, o fazendeiro levou-os para Quixeramobim e alforriou novamente os mesmos escravos – ganhando, assim, indenização em dobro.
A denúncia sobre o episódio envolvendo Antônio Benício Saraiva (1823 – 1920) foi publicada, em outubro de 1883, no jornal Libertador. A história do fazendeiro e outras irregularidades que antecederam a abolição no Ceará foram noticiadas pelo periódico oficial da Sociedade Cearense Libertador, mais destacada agremiação abolicionista que atuou no Ceará.”
(https://www20.opovo.com.br/app/opovo/dom/2014/03/22/noticiasjornaldom,3224538/a-libertacao-dos-escravos-e-a-corrupcao-na-provicia-do-ceara.shtml. Acesso em: 22/09/2017)
Sobre a escravidão no Ceará, podemos destacar como verdadeira qual afirmativa?
Na década de 1880, o abolicionismo cearense se consolidou, tornando-se um dos mais aguerridos do país, tendo se intensificado com a fundação da Sociedade Cearense Libertador. O Jornal O Libertador, sob a orientação ideológica de uma classe média emergente, era um dos principais meios de divulgação das ideias abolicionistas entre os setores da elite, que apostavam na extinção do cativeiro.
Os cearenses enfrentaram uma terrível seca entre 1877-1879 e, como consequência da escassez de chuvas, houve uma dizimação do gado e da produção agrícola, o que promoveu a migração de retirantes do interior para capital, aumentando em muito sua população. Nesse período, mesmo com a seca, houve uma organização para a vinda de mão de obra escrava para o Ceará, com isso o tráfico interno atingiu o seu auge, e o Ceará passou a ser um dos maiores proprietários de escravos do Nordeste do país.
Fortaleza, em 1883, foi a primeira capital do país a libertar oficialmente seus escravos. Em meio ao processo quase inevitável da abolição cearense em curso, porém, os proprietários de escravos cearenses foram firmes na manutenção de seus escravos, libertados apenas em 1888, com a Lei Áurea.
A presença escrava negra no Ceará foi ínfima, prova disso é a ausência de negros no Estado. Os escravos cearenses em sua maioria eram indígenas que, sob o domínio do tráfico da Igreja Católica, serviram de mão de obra na agricultura da cana-de-açúcar, do algodão, do café e na extração do ouro no Ceará.